Um programa de partilha de ficheiros que metade da internet chegou a ter instalado, uma ordem judicial que o desligou e o que o nome significa agora.
Durante a maior parte dos anos 2000, o LimeWire era a forma como as pessoas encontravam ficheiros. Era gratuito, funcionava em quase qualquer computador e pesquisava numa rede que não pertencia a ninguém. Isso tornou-o imensamente popular e, por fim, indefensável em tribunal. Esta página expõe o que aconteceu, por ordem, sem lendas. Os mesmos 26 anos estão tratados com dados e fontes no LimeWire Open Research Hub.
2000
Mark Gorton funda a Lime Wire LLC em Nova Iorque e lança o LimeWire, um cliente para a Gnutella, um protocolo peer-to-peer publicado no início desse mesmo ano por Justin Frankel e Tom Pepper, programadores da Nullsoft. Ao contrário do Napster, a Gnutella não tem índice central, pelo que não existe um único servidor que alguém possa desligar.
2001
O LimeWire Basic é lançado sob a GNU General Public License. Uma edição paga, o LimeWire Pro, liga-se a mais fontes em simultâneo e financia a empresa a par da publicidade.
2004
Após anos de queixas, a versão 3.9.4 remove o adware LimeShop que vinha incluído. No mesmo ano, membros da comunidade criam o FrostWire, um fork pensado para se manter livre de qualquer código de filtragem.
2007
Quando a ação é interposta, o LimeWire tem perto de quatro milhões de utilizadores por dia, e a Gnutella transporta mais de 40% de todo o tráfego de partilha de ficheiros. Versões posteriores acrescentam transferências entre firewalls, um mensageiro integrado e ligações cifradas.
2010
A 11 de maio, a juíza Kimba Wood decide que a Lime Wire LLC induziu a violação de direitos de autor. A 26 de outubro, uma injunção permanente obriga a desativar a pesquisa, a transferência e a distribuição de ficheiros. As cópias instaladas passam a mostrar um aviso de que o software foi desligado por ordem judicial.
2011
As editoras defendem que os danos sejam contados por transferência e não por gravação, o que dá um valor superior à economia mundial. O tribunal considera essa leitura absurda e fixa um limite por obra. Dois dias após o início do julgamento sobre os danos, o caso termina num acordo de 105 milhões de dólares.
2012–2021
A empresa deixa de distribuir software. O domínio caduca e muda de mãos mais do que uma vez. A rede Gnutella continua a funcionar sem o seu cliente mais conhecido, mantida por forks que nunca estiveram sujeitos à injunção.
2022
O nome e as marcas LimeWire são adquiridos por um novo proprietário sem qualquer ligação à Lime Wire LLC e relançados como plataforma web. Nada da rede peer-to-peer original é reutilizado: não há cliente para instalar nem rede Gnutella por trás.
2023–2025
Em 2023 é adquirida uma ferramenta de geração de imagens, integrada na plataforma; em 2025 seguem-se os serviços de transferência instantânea em rede local Snapdrop e ShareDrop, e o filetransfer.io. A partilha de ficheiros volta a ser o centro do produto, desta vez no navegador.
Hoje
O LimeWire é uma plataforma de partilha de ficheiros e IA que funciona num separador do navegador. Os ficheiros são carregados para uma infraestrutura que a própria empresa gere, e servidos a partir dela; nada é obtido dos computadores de outras pessoas e nada é indexado a partir de uma rede pública.
Treze editoras discográficas lideradas pela Arista Records processaram a Lime Wire LLC em 2006 por induzir a violação de direitos de autor. O tribunal deu-lhes razão em maio de 2010 e encerrou as funções de partilha de ficheiros em outubro. As editoras pediram depois danos contados por transferência, um valor que chegava aos biliões; o tribunal recusou essa leitura da lei e o caso terminou num acordo de 105 milhões de dólares. O valor de 72 biliões de dólares tem uma página própria.
Já não existe, e essa é a resposta honesta. O cliente foi desativado por ordem judicial em 2010 e não voltou a ser distribuído. Os instaladores ainda oferecidos com esse nome em sites de terceiros não são nossos e não são seguros — esses mesmos resultados de pesquisa eram um canal de malware bem documentado ainda no tempo do programa original.
Hoje não há nada para instalar. O LimeWire funciona num separador do navegador: os ficheiros são carregados para uma infraestrutura gerida pela empresa e partilhados com uma ligação. Nada é obtido do computador de um desconhecido e nada é publicado num índice público.
O nome é o mesmo; a empresa não. A Lime Wire LLC deixou de gerir a marca após o acordo. As marcas foram adquiridas em 2022 por outra empresa, que construiu um produto novo de raiz. Nenhum código, nenhuma rede e nenhuns dados de utilizadores transitaram dos anos 2000, e nenhuma parte do serviço atual depende da partilha de ficheiros peer-to-peer.
O LimeWire era um cliente gratuito de partilha de ficheiros peer-to-peer, escrito em Java e lançado pela primeira vez em 2000. Funcionava em Windows, macOS, Linux e Solaris e ligava-se à rede Gnutella, que não tinha catálogo central nem servidor da empresa com o índice.
O LimeWire foi criado por Mark Gorton, cuja empresa Lime Wire LLC foi fundada em Nova Iorque em 2000. O protocolo Gnutella que usava foi escrito à parte por Justin Frankel e Tom Pepper, na Nullsoft, no início desse mesmo ano.
Treze editoras discográficas lideradas pela Arista Records processaram a Lime Wire LLC em 2006. A 11 de maio de 2010, a juíza Kimba Wood considerou a empresa responsável por induzir a violação de direitos de autor e, a 26 de outubro de 2010, uma injunção permanente obrigou a desligar as funções de partilha de ficheiros. A Lime Wire LLC chegou a acordo com as editoras por 105 milhões de dólares em maio de 2011.
Em lado nenhum, e nenhuma cópia encontrada noutro sítio é de confiança. O cliente original foi desativado por ordem judicial em 2010 e já não é distribuído. O limewire.com é hoje uma plataforma de partilha de ficheiros e IA no navegador; não há nada para instalar.
Não. A Lime Wire LLC, a empresa processada em 2006, já não gere a marca. O nome e as marcas LimeWire foram adquiridos em 2022 por outra empresa, que reconstruiu o produto de raiz como serviço web. Nada da rede peer-to-peer original transitou.
A primeira versão saiu em 2000, pela Lime Wire LLC, em Nova Iorque. Em 2001 seguiu-se o LimeWire Basic sob a GNU General Public License, com uma edição paga, o LimeWire Pro, ao lado. Quando as editoras avançaram com o processo, o cliente tinha perto de quatro milhões de utilizadores por dia. A distribuição das funções de partilha de ficheiros terminou com a injunção judicial de 26 de outubro de 2010.
Não, e o LimeWire de hoje não é esse tipo de serviço. O cliente antigo pesquisava na rede Gnutella, onde os computadores de outras pessoas ofereciam os ficheiros; essa ligação à rede foi desligada em 2010 e nada no limewire.com a substitui. Não há aqui um catálogo onde procurar músicas. O que pode fazer é carregar música que já é sua — as suas gravações, os ficheiros que comprou, as suas cópias de segurança — e enviá-la a alguém como ligação.
Não. Não há videoteca, nem pesquisa nos computadores de outras pessoas, nem forma de encontrar aqui filmes protegidos por direitos de autor — partilhá-los sem autorização foi exatamente o objeto do processo de 2010. O LimeWire de hoje move ficheiros que já tem: carrega um vídeo, recebe uma ligação, decide quem a recebe e pode revogá-la mais tarde.